
Reajustes anunciados em menos de uma semana elevam taxas mínimas para até 15% ao ano, mais a TR, e podem dificultar a compra de imóveis financiados no Brasil
O sonho da casa própria ficou mais caro para brasileiros que pretendem contratar financiamento imobiliário nos principais bancos privados do país.
Em menos de uma semana, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander anunciaram reajustes nas taxas de juros cobradas em novas operações de crédito habitacional.
O movimento começou com o Bradesco, que elevou sua taxa mínima para a maioria dos clientes de 11,69% para 15% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR).
Na quinta-feira (29), foi a vez do Itaú Unibanco anunciar um aumento de 11,99% para 12,95% ao ano, também acrescido da TR.
Já o Santander confirmou que, a partir desta sexta-feira (30), sua taxa mínima passaria de 11,69% para 12,49% ao ano, mais TR.
As mudanças representam um encarecimento do crédito imobiliário e podem afetar o planejamento financeiro de famílias que pretendem adquirir imóveis.
Bradesco registra o maior aumento
O reajuste mais expressivo ocorreu no Bradesco.
A taxa mínima para a maioria dos clientes passou de 11,69% para 15% ao ano, uma elevação de 3,31 pontos percentuais.

O aumento chamou a atenção de especialistas por ser considerado elevado para os padrões do mercado de financiamento imobiliário.
Segundo levantamento da MySide, empresa especializada no acompanhamento das taxas de crédito imobiliário, a menor taxa do Bradesco ficou em 13,6% ao ano para clientes do segmento Private.
Para a maioria dos consumidores, entretanto, o percentual mínimo anunciado é de 15% ao ano, além da TR.
Itaú também reajusta financiamento da casa própria
Na quinta-feira (29), o Itaú Unibanco elevou sua taxa mínima de financiamento imobiliário.
O percentual passou de 11,99% para 12,95% ao ano, mais TR, para clientes fora do segmento Private.
O aumento foi de 0,96 ponto percentual.
Para clientes que atendem a condições específicas do segmento Private, a menor taxa acompanhada pela MySide ficou em 12,89% ao ano.
Em nota divulgada à imprensa, o Itaú atribuiu a mudança às oscilações recentes dos juros futuros e ao aumento dos custos de captação de recursos.
O banco explicou que as condições oferecidas variam conforme o perfil de crédito e o relacionamento de cada cliente com a instituição.
Santander também anuncia aumento
O Santander foi o terceiro grande banco privado a anunciar reajuste no financiamento imobiliário.
A instituição confirmou que a taxa mínima passaria de 11,69% para 12,49% ao ano, mais TR, a partir de sexta-feira (30).
O aumento corresponde a 0,80 ponto percentual.
Segundo o banco, as condições de crédito são avaliadas continuamente, considerando os indicadores econômicos e o cenário do mercado imobiliário.
Com isso, os três bancos passaram a oferecer taxas mínimas superiores às praticadas anteriormente.
Por que os juros estão aumentando?
Um dos principais fatores apontados pelas instituições financeiras é a elevação dos juros futuros no mercado brasileiro.
Essas taxas influenciam o custo de captação de recursos utilizados pelos bancos para financiar a compra de imóveis.
Outro fator é a redução da participação dos depósitos de poupança como fonte de financiamento habitacional.
Com menos recursos disponíveis nessa modalidade, os bancos precisam recorrer a outras formas de captação, que podem apresentar custos mais elevados.
O resultado é uma pressão sobre as taxas oferecidas aos consumidores.
Como o aumento afeta quem deseja comprar um imóvel?
Juros mais elevados podem provocar diferentes impactos no financiamento da casa própria.
O consumidor poderá encontrar prestações iniciais maiores, pagar mais juros ao longo do contrato ou precisar aumentar o valor da entrada para conseguir aprovação.
Também poderá ocorrer redução do valor máximo financiável, dependendo da renda familiar e das condições exigidas pelo banco.
Por isso, especialistas recomendam comparar propostas de diferentes instituições antes de contratar um financiamento.
Quem já tem financiamento terá aumento nas parcelas?
Os reajustes anunciados se referem às condições oferecidas para novas contratações.
Quem já possui um contrato de financiamento com taxa de juros definida não terá essa taxa automaticamente alterada apenas porque o banco anunciou novas condições comerciais.
Entretanto, as prestações continuam sujeitas aos mecanismos de atualização previstos no contrato, como a aplicação da TR, quando cabível.
Por isso, é importante verificar as condições específicas do financiamento contratado.
Atenção ao uso do FGTS
Outro ponto relevante é que as novas taxas mínimas divulgadas ultrapassam o limite de juros aplicável às operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Esse enquadramento é importante porque o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na aquisição ou amortização de imóveis depende do cumprimento de requisitos legais e regulamentares.
Assim, consumidores que pretendem utilizar o FGTS precisam verificar se a modalidade de financiamento oferecida permite essa utilização.
Impacto também pode ser sentido em Cambé e Londrina
O aumento dos juros preocupa famílias de Cambé, Londrina e demais cidades do Norte do Paraná que planejam comprar a casa própria.
Com prestações potencialmente maiores, a recomendação é avaliar cuidadosamente a renda disponível, o valor da entrada e o custo total da operação.
Também é importante comparar as condições de financiamento oferecidas por diferentes bancos, considerando não apenas os juros anunciados, mas o Custo Efetivo Total (CET).
O CET reúne juros, seguros, tarifas e demais despesas incluídas na operação, permitindo uma comparação mais completa.
Fontes: Exame, InfoMoney, SBT News e levantamento de taxas da MySide — 29 e 30 de outubro de 2026.






